A importância das atividades físicas em idosos

  • Imprimir
O sedentarismo  é um importante fator e risco para diversos problemas do envelhecimento e  associa-se à perda da massa muscular, com redução da força muscular, flexibilidade, débito cardíaco (capacidade de bombeamento do sangue pelo coração durante um minuto), e função pulmonar, mudanças na regulação hormonal e sistema imunológico, redução na massa óssea e maior prevalência e incidência de sedentarismo.
 
O sedentarismo em idosos pode ser caracterizado por atividades físicas com duração inferior a 150 minutos por semana.Atividade física é qualquer movimento corporal que implique em um gasto enegético. O sedentarismo é um importante fator de risco para doença arterial coronariana (obstruções das artérias do coração por placas de gordura) em idosos.Alguns estudos demonstram que o risco relativo de doença arterial coronariana atribuível ao sedentarismo é comparável ao risco da hipertensão arterial (pressão alta), dislipidemia (colesterol elevado) e tabagismo.
 
O sedentarismo é considerado um fator de risco para a morte súbita, estando na maioria das vezes associado direta ou indiretamente às causas ou ao agravamento de várias doenças, tais como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, ansiedade, depressão, dislipidemia, aterosclerose,doença pulmonar, osteoporose e câncer.
 
O exercício físico realizado de maneira sistemática ajuda no controle da hipertensão arterial por redução da resistência arterial periférica (dilatação dos vasos), aumenta HDL-colesterol ("colesterol bom"), reduz a obesidade, triglicerídios, propicia melhor controle dos níveis glicêmicos (taxas de açúcar no sangue), previne doença arterial coronariana e diminui o risco de morte.
 
Além disso, melhora a qualidade do sono, função cognitiva (mental) e memória de curto prazo, diminui o grau de depressão, reduz ou atrasa o aparecimento de demência, reduz o risco de câncer de cólon, mama, próstata e reto, aumenta a densidade óssea e diminui o aparecimento de fraturas de fêmur e vértebras.
 
O idoso deve fazer um tempo maior de aquecimento e esfriamento, antes e após as atividades, respectivamente. Devido à menor responsividade do sistema barorreceptor, apresenta maior risco de complicações, uma vez que a diminuição na pressão arterial consequente à vasodilatação periférica não é compensada por aumento suficientemente rápido na frequência cardíaca para evitar tontura ou síncope (desmaio), em resposta à diminuição do débito cardíaco.
 
A fase de aquecimento inclui exercícios de flexibilidade e movimentação, que facilitam a biomecânica músculo-esquelética. A fase de esfriamento pós-exercícios físicos permite a dissipação gradual do calor corporal e consequente vasodilatação periférica. Lesões músculo-esqueléticas podem ser diminuídas evitando-se atividades de alto impacto, como corrida e pulo.Caminhar em intensidade rápida é uma excelente forma de obter condicionamento físico, com aumento gradual do passo e da distância percorrida.
 
Os idosos devem ser orientados a reduzir a intensidade do exercício em dias úmidos ou quentes, pois o fluxo sanguíneo da pele diminui com o envelhecimento, com consequente menor eficiência de sudorese e da regulação da temperatura corporal.Recomenda-se também a prática de exercícios de resistência (musculação), pelo menos duas vezes por semana.
 
A avaliação da pré-participação em atividades mais vigorosas deve ser iniciada pela história e pelo exame clínico focado nas peculiaridades dessa população que, frequentemente, é portadora de doença arterial coronariana silenciosa. A investigação complementar deve ser orientada pelos dados clínicos, evitando custos elevados, por vezes proibitivos e desestimulantes para a prática de exercício físico.
 
O eletrocardiograma (ECG) de repouso é o método inicial para determinar a presença de doença arterial coronária e/ou outras anormalidades. No idoso, entretanto, apresenta limitada aplicação como exame de pré-seleção para atividade física.O ecodopplercardiograma é sempre indicado na suspeita de cardiopatia. O teste ergométrico (teste de esforço) avalia a capacidade funcional, isquemia miocárdica (diminuição da irrigação sanguínea do músculo cardíaco) induzida pelo esforço e arritmias de diversas causas. Em idosos com contraindicações para realização do teste ergométrico, deve-se realizar ecocardiograma de estresse ou cintilografia de perfusão miocárdica. O Holter (registro eletrocardiográfico durante 24 horas) é utilizado na estratificação de risco em idosos portadores de arritmias detectadas no ECG ou no teste ergométrico, bem como em história de síncope (desmaio).
 
Escrito por : Portal do Coração