Cuidados bucais por toda a vida !

Todos nós queremos ter dentes fortes e sadios, mas para isso é preciso cuidar bem deles durante a vida toda. Os dentes são fundamentais para a fala, a mastigação (início da digestão da maioria dos alimentos), a deglutição e a estética (boa aparência).
A palavra chave na luta pela saúde bucal é a prevenção. Esta deve ser aplicada em todas as fases da vida de uma pessoa, na gestante, na criança, no adolescente e no adulto. Assim, evitaremos as cáries, problemas gengivais e ortodônticos, que podem provocar desconforto físico e emocional, além de prejuízos à saúde geral, atuando como focos de infecção permanentes.
Há muito a se fazer como visitas regulares ao dentista (de seis em seis meses) e os auto-cuidados, que são boa higiene oral, a utilização de flúor e o consumo racional de açúcar.
Nosso objetivo é dar a você dicas de como manter um sorriso bonito com dentes saudáveis. 
 
 
OS    DENTES  
 
Os dentes são compostos de duas partes: coroa e raiz. A coroa é a parte do dente que nós enxergamos. A raiz é duas vezes maior que a coroa,  fica dentro do osso e é coberta pela gengiva.
O dente é formado de quatro camadas diferentes:
- esmalte: parte mais externa do dente, dura e branca;
- dentina: fica abaixo do esmalte, possui pequenos canais, que são continuações da polpa e que são responsáveis pela sensibilidade do dente;
- polpa: é a parte mais central do dente e tem vasos e nervos no seu interior;
- cemento: é a região que forma a raiz e está ligado ao osso através de fibras.
Temos duas dentições: a primeira é chamada dentição decídua ou de leite, composta por 20 dentes. Inicia-se em torno dos seis meses e completa-se aos dois anos de idade, podendo variar de criança para criança. Esses dentes são muitos importantes porque funcionam como guia para o nascimento dos dentes definitivos, mantendo seu espaço e estimulam o crescimentos dos maxilares.
A segunda dentição é a chamada permanente, composta por 32 dentes, que não serão substituídos depois. O primeiro dente permanente surge por volta dos seis anos de idade e nasce logo atrás dos últimos dentes decíduos (molares). É importante observar sua presença para que não seja confundido com um dente de leite e redobrar os cuidados com a escovação.  Aos treze anos a dentição está quase completa, faltando apenas os quatro dentes do siso, que aparecem dos dezessete até os trinta anos.
 
 
A   CÁRIE 
 
Na nossa boca existem milhões de bactérias. Através de restos alimentares e do açúcar acumulados na boca, essas bactérias conseguem grudar no dente, formando a placa bacteriana. Essa placa produz um ácido que dissolve o esmalte do dente, causando a cárie. A placa é incolor e somente pode ser vista com a aplicação de corantes especiais.
A cárie inicial (mancha branca) é indolor e pode ser revertida através da limpeza adequada da região e pelo uso do flúor que remineraliza o esmalte. Se isso não for feito, a cárie vai aumentando, podendo atingir a dentina, provocando dores, até chegar na polpa. Nesse estágio, torna-se necessário fazer o tratamento de canal para não perder o dente. 
 
 
DOENÇAS   NA   GENGIVA 
 
 
Uma gengiva saudável apresenta-se firme, rosa e não sangra com facilidade. A placa bacteriana acumulada perto da gengiva, causa uma inflamação, tornando-a inchada, avermelhada, dolorida e sangrando com o simples contato com a escova de dente. Essa doença chama-se gengivite. 
Se essa placa não for removida através da escovação ela endurece (calcifica-se), formando o tártaro, que deve ser removido pelo dentista. Se isso não ocorrer, o tártaro tende a aumentar, causando a separação entre o dente e a gengiva, provocando uma retração da mesma, deixando a raiz exposta. Há formação de bolsas de pus e essa infecção pode destruir parte do osso que sustenta o dente, deixando-o mole. Essa doença chama-se periodontite e ainda pode causar mau hálito, gosto ruim na boca, mudança de posição dos dentes e até a perda dos mesmos.
 
 
PERDA DO DENTE
 
 
Quando você perde um dente, além de prejudicar a estética e a mastigação, os dentes vizinhos perdem o apoio e se movimentam para fechar o espaço e os dentes que mordem sobre aqueles perdidos acabam descendo, expondo parte da raiz. Esse novo posicionamento dificulta a limpeza e pode causar problemas na mordida, inclusive com dores nas articulações e músculos da face. Por isso é que devemos evitar a perda de dentes. 
 
 
NAS GESTANTES
 
 
Para evitar a perda dos dentes e todos os problemas que esta possa causar, é preciso criar uma educação em saúde bucal, que deve começar desde o período de gestação, ensinando a mãe a como cuidar de seus filhos para prevenir as cáries. A gestante deve moderar a ingestão de açúcar a partir do quarto mês de gravidez, quando o bebê começa a desenvolver o paladar, para evitar que ele goste muito de doces. A mãe também não deve negligenciar sua higiene oral durante a gravidez, já que a possibilidade de problemas gengivais ocorrerem nessa fase é justificada por problemas hormonais.
 
  
PREVENÇÃO NO BEBÊ
 
 
A amamentação é muito importante para o desenvolvimento dos maxilares, fortalecimento dos músculos da boca e para que a criança aprenda a respirar pelo nariz. Após a mamada deve-se limpar a boca do bebê com uma gaze ou fralda umedecida em água para remover o leite e ir acostumando-o com a higiene bucal.
Não se deve soprar a comida dos bebês para esfriá-las, beijar a criança na boca e usar os mesmos talheres e copos para não transmitir nossas bactérias para a boca dos filhos.
Logo que aparecer os primeiros dentes, os pais devem começar a limpá-los com uma escova pequena e macia, sem pasta dental, pois a criança já pode ter cáries. Por isso, é aconselhável não adoçar o leite, sucos ou chás ou, então, usar mel ou açúcar mascavo que adoçam com um perigo menor. Jamais deixar o bebê dormir com a mamadeira na boca porque isso provoca um tipo de cárie muito severa e de rápida progressão em todos os dentes. Não se deve passar a chupeta no mel ou açúcar antes de dá-la à criança. 
 
 
PRIMEIRA VISITA
 
 
A primeira visita da criança ao dentista pode ser marcada por volta de um ano de idade para que ele se acostume com o consultório dentário. Os pais não devem se mostrar preocupados com essa visita, nem contar experiências negativas que tiveram com o tratamento de seus dentes, para a criança não ficar com medo. 
A próxima consulta pode acontecer por volta de dois anos de idade, quando a dentição decídua estará completa. O dentista fará a limpeza e aplicação de flúor nos dentes e dará a orientação necessária aos pais e à criança sobre a escovação e o uso do fio dental. 
 
 
HIGIENE BUCAL
 
No começo, a higiene bucal das crianças deve ser realizada pelos pais. A medida que a criança cresce, ela deve se acostumar a escovar seus dentes sozinha, seguindo o exemplo dos pais e com a supervisão destes até os nove anos de idade, quando já desenvolve habilidade motora suficiente. 
 
 
A ESCOVAÇÃO
 
Devemos escovar os dentes todos os dias ao acordar, após as refeições e antes de dormir. A escova dental mais indicada é aquela com a cabeça pequena, com cerdas macias, de pontas arredondadas e da mesma altura. Usar pouca pasta dental.
Recomenda-se a seguinte técnica:
- nos dentes posteriores, na face mastigatória, fazer movimentos de vaivém com a escova. Na face interna (do lado da língua) e na externa (do lado da bochecha), colocar a escova ligeiramente inclinada para a gengiva e fazer pequenos movimentos vibratórios, massageando a gengiva. Depois, girar a escova em direção aos dentes, como se estivesse varrendo-os. Não esquecer a face de trás do último dente, fechando um pouco a boca.
- na face externa dos dentes da frente, repetir o movimento anterior. Na face interna, inclinar a escova verticalmente e fazer movimentos de vaivém.    
- para finalizar, escovar a língua suavemente. 
As pessoas que possuem próteses precisam de cuidados especiais de higiene e devem receber orientação do dentista. É necessário limpar os dentes artificiais com muito cuidado e todas as vezes que ingerir qualquer alimento.
 
 
FIO DENTAL
 
A higiene dental deve ser completada com o uso do fio dental. Só através dele consegue-se retirar restos de alimentos que se instalam entre os dentes. É justamente nesse local, onde a escova não alcança, que as cáries costumam se desenvolver.  
Corte um pedaço de aproximadamente quarenta  centímetros de fio ou fita dental e enrole as pontas nos dedos médios. Estique o fio e o introduza suavemente entre os dentes, guiando-o com os polegares e os indicadores. Curve o fio sobre a superfície de cada dente e faça movimentos de cima para baixo até chegar junto à gengiva. Comece sempre pelos dentes posteriores.
Faça isso uma vez ao dia, de preferência à noite porque a fermentação dos alimentos na boca é maior nesse período.
 
 
FLÚOR 
 
O flúor é um forte aliado na prevenção contra as cáries porque ele fortalece o esmalte dos dentes, deixando-os mais resistentes ao ataque dos ácidos produzidos pela placa bacteriana. Deve ser usado em todas as idades, mas principalmente em crianças até os doze anos. Pode ser ingerido através da água de abastecimento que, em São Paulo, é fluoretada. Em cidades onde isso não ocorre, o dentista pode receitar o flúor na forma de comprimidos, gotas ou solução.
Outra forma de aplicação é a local, através do uso do creme dental com flúor, bochechos diários ou semanais com soluções fluoretadas e a aplicação do flúor em forma de gel, feita pelo dentista. O flúor provoca a remineralização dos dentes em processo inicial de cárie. 
 
 
DIETA
 
Juntamente com a higiene bucal e o uso do flúor, a dieta alimentar forma um tripé para evitar a formação de cárie.
Devemos controlar o consumo de açúcar e carboidratos, que servem de alimento para as bactérias da placa. Isso pode ser feito através da diminuição da frequência de açúcar durante e entre as refeições (cafezinho, refrigerantes, balas, chicletes).
Alimentos moles, doces e pegajosos são mais cariogênicos. Prefira uma dieta mais equilibrada e rica em alimentos duros e fibrosos. 
A higienização deve ser feita logo após as refeições, evitando que o alimento permaneça na boca. O aparecimento de cáries é consequência de uma alimentação desbalanceada e rica em alimentos pastosos e açucarados, associada à uma higiene dental precária.
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CONCLUSÃO 
 
É com todas essas armas que vamos conseguir evitar o aparecimento dos problemas bucais. Temos como objetivo chegar à idade adulta com todos os dentes bem posicionados, brancos e saudáveis. Portanto, recomenda-se visitar o dentista de seis em seis meses e não esperar sentir dor para fazer o tratamento dentário. Quanto antes for detectado o problema, mais simples será o tratamento, menos doloroso e, também, menos dispendioso. 
 
Autores: Dr. Fernando Montenegro e  Dra.Vanessa Giacometti