Atividades mentais preservam integridade estrutural do cérebro de idosos

Estudo revela associação significativa entre frequência das atividades na velhice e melhores condições da massa branca do cérebro já que atividades  mentais como ler e escrever podem preservar a integridade estrutural dos cérebros de pessoas mais velhas, de acordo com estudo de pesquisadores do Rush University Medical Center, nos EUA.
 
A pesquisa sugere que idosos que praticam essas atividades regularmente têm propriedades cerebrais semelhantes aos de indivíduos mais jovens.
 
O líder da pesquisa Konstantinos Arfanakis e seus colegas estudaram o efeito que a atividade cognitiva pode ter sobre a massa branca do cérebro de idosos, que é composta por fibras nervosas, ou axônios, que transmitem a informação ao longo do cérebro.
 
"Ler o jornal, escrever cartas, visitar uma biblioteca, assistir a um jogo ou participar de jogos como xadrez ou damas, são atividades simples que podem contribuir para a saúde do cérebro", afirma Arfanakis.
 
Os investigadores usaram um exame de ressonância magnética para gerar dados de anisotropia de difusão, medida de como as moléculas de água se movem através do cérebro.
 
Na matéria branca, anisotropia de difusão explora o fato de que a água se desloque mais facilmente em uma direção paralela aos axônios do cérebro, e menos facilmente perpendicular aos axônios, porque ela é impedida por estruturas tais como as membranas axonais e a mielina. "Essa diferença nas taxas de difusão ao longo de direções diferentes aumenta os valores de anisotropia de difusão. Essa anisotropia de difusão é maior quanto mais difusão está acontecendo em uma direção em relação a outras", explica o pesquisador.
 
Os valores de anisotropia na massa branca, no entanto, caem com o envelhecimento, lesões e doenças.
 
No tecido saudável da massa branca, a água não pode mover-se em direção perpendicular às fibras nervosas. Mas, se, por exemplo, uma pessoa tem menor densidade neuronal ou menos mielina, então a água tem mais liberdade para se movimentar de maneira perpendicular às fibras.
 
O estudo incluiu 152 participantes idosos com idade média de 81 anos. Os participantes não tinham demência ou comprometimento cognitivo leve no início do estudo.
 
A equipe avaliou a taxa com que os participantes se envolveram em atividades mentais no ano anterior em uma escala de frequência de 1 a 5. Entre as atividades estavam ler jornais e revistas, escrever cartas e jogar cartas e jogos de tabuleiro.
 
Os participantes foram submetidos à ressonância magnética. A análise dos dados revelou associação significativa entre a frequência de atividade cognitiva mais tarde na vida e maiores valores de anisotropia de difusão no cérebro.
 
"Várias áreas de todo o cérebro, incluindo regiões muito importantes para a cognição, apresentaram maior integridade estrutural com mais atividade cognitiva frequente em idade avançada. Manter o cérebro ocupado no final da vida tem resultados positivos", afirma Arfanakis.
 
Segundo o pesquisador, a anisotropia de difusão começa a diminuir gradualmente por volta dos 30 anos. "A maior anisotropia de difusão em pacientes idosos que praticam atividade cognitiva frequente sugere que essas pessoas têm propriedades cerebrais semelhantes a de indivíduos mais jovens", afirma.
 
A equipe pretende continuar a acompanhar os participantes do estudo a fim de comparar os resultados de anisotropia de difusão ao longo do tempo.
 
 
 
 
A pesquisa foi divulgada no encontro anual da Radiological Society of North America (RSNA). 
 
 
Escrito por Isaude.net.